Valor Percebido, Desigualdade Territorial e a Regulação da Saúde Suplementar sob uma Perspectiva Comportamental

Autores/as

Palabras clave:

Behavioral Perspective Model. Saúde suplementar. Valor percebido. Desigualdade territorial. Regulação em saúde. Administração pública.

Resumen

Este artigo investiga o paradoxo distributivo observado nas operadoras de autogestão em saúde suplementar no Brasil, no qual beneficiários que contribuem financeiramente de forma equivalente recebem níveis distintos de assistência em função do município em que residem. Parte-se da premissa de que essa desigualdade não decorre exclusivamente de fatores organizacionais ou da atuação das operadoras, mas reflete limitações do modelo de governança regulatória que estrutura o setor. Com base nessa perspectiva, o estudo propõe um modelo conceitual capaz de explicar como fatores territoriais influenciam a percepção de valor, a satisfação e a lealdade dos beneficiários, além de discutir implicações para o aperfeiçoamento dos instrumentos regulatórios utilizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A construção do modelo fundamenta-se na integração do Behavioral Perspective Model (BPM) com as literaturas sobre qualidade em serviços, valor percebido, custos de mudança e governança dos sistemas de saúde. A partir dessa articulação teórica, são desenvolvidas quatro proposições passíveis de verificação empírica, cuja plausibilidade é ilustrada por evidências secundárias provenientes de um survey realizado com 3.942 beneficiários de uma operadora nacional de autogestão em saúde (Pereira et al., 2025). O modelo proposto demonstra que o cenário de consumo exerce influência decisiva sobre a distribuição dos reforçadores utilitários, produzindo desigualdades estruturais entre municípios de diferentes portes e configurando um gradiente territorial de valor percebido que extrapola a capacidade de compensação das operadoras individualmente. Os resultados também indicam que os reforçadores informativos constituem determinantes mais robustos da satisfação do que os benefícios utilitários, evidenciando a relevância das experiências relacionais e simbólicas na avaliação dos serviços. Além disso, verifica-se que a escolaridade exerce efeito moderador negativo sobre o valor percebido, reduzindo a inércia comportamental que frequentemente sustenta a lealdade aparente em mercados caracterizados por restrições de escolha. Embora as evidências apresentadas reforcem a consistência teórica do modelo, o estudo reconhece como limitação a utilização de dados secundários originalmente coletados para objetivos distintos daqueles aqui propostos. Assim, recomenda-se a realização de pesquisas longitudinais, comparativas e com delineamentos capazes de testar empiricamente os mecanismos causais sugeridos. Do ponto de vista prático, o modelo oferece subsídios para que operadoras de autogestão, a Agência Nacional de Saúde Suplementar, o Ministério da Saúde e gestores estaduais e municipais diferenciem situações de lealdade genuína daquelas decorrentes de inércia comportamental, permitindo direcionar políticas e investimentos para o fortalecimento de reforçadores relacionais e de mecanismos de coordenação territorial, para além da ampliação da infraestrutura assistencial. Como principal contribuição teórica, o estudo amplia o campo de aplicação do Behavioral Perspective Model, tradicionalmente utilizado para explicar o comportamento do consumidor, ao incorporá-lo como referencial analítico para compreender a interação entre fatores comportamentais, territoriais e regulatórios na saúde suplementar. Dessa forma, oferece uma interpretação inovadora das desigualdades territoriais, reposicionando-as como um desafio de governança regulatória e coordenação interfederativa, e contribuindo para o avanço da literatura sobre qualidade em serviços de saúde, comportamento do consumidor e políticas públicas.

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Biografía del autor/a

Beatriz Amália Albarello, Universidade Católica de Brasília, DF, Brasil

Doutora em Psicologia pela Universidade Católica de Brasília (UCB).

Helga Cristina Hedler, Centro Universitário IESB, DF, Brasil

Doutora em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações na Universidade de Brasília (UnB).   

Rodrigo Santiago Pereira, Centro Universitário IESB, DF, Brasil

Mestre em Gestão Estratégica de Organizações pelo Centro Universitário IESB.   

Simone de Araújo Góes Assis, Centro Universitário IESB, DF, Brasil

Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP).   

Francisco Antonio Coelho Júnior, Universidade de Brasília, DF, Brasil

Doutor em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações pela Universidade de Brasília (UnB).   

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Publicado

2026-08-07

Cómo citar

Albarello, B. A., Hedler, H. C., Pereira, R. S., Assis, S. de A. G., & Coelho Júnior, F. A. (2026). Valor Percebido, Desigualdade Territorial e a Regulação da Saúde Suplementar sob uma Perspectiva Comportamental. Revista Processus De Políticas Públicas Y Desarrollo Social, 8(16), e161778. Recuperado a partir de https://periodicos.processus.com.br/index.php/ppds/article/view/1778

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